Inteligência Artificial usada para criar fotos de pessoas fictícias

Inteligência Artificial usada para criar fotos de pessoas fictícias

janeiro 3, 2020 0 Por Lucas

Em dezembro, saiu na internet a notícia de que o Facebook eliminara centenas de perfis falsos, usados para propaganda de ideias e outros sites. A princípio, parece ser algo comum, rotineiro: a simples exclusão de perfis fakes. Porém, o chocante é que estes não se tratavam apenas de contas criadas com fotos de outras pessoas e um nome falso, mas sim de perfis criados a partir da geração de fotos de pessoas fictícias pela inteligência artificial. Isso mesmo, “robôs” criando rostos que não existem.

A tecnologia

A criação de rostos fictícios pela inteligência artificial é algo relativamente novo. Para criar as imagens, os computadores se utilizam de uma tecnologia chamada generative adversarial networks (redes adversárias generativas, em português), conceito introduzido no mercado em 2014.

Até 2018, porém, os melhores projetos tinham problemas em gerar imagens de alta qualidade. Nesse ano, então, a NVIDIA, empresa de tecnologia famosa por seus produtos relacionados ao vídeo, lançou o ProGAN. Este é rede adversária generativa, também, mas melhorada. Mais tecnicamente, a diferença é que esse algoritmo começa criando rostos em baixíssima resolução e, aos poucos, vai aumentando a qualidade. Assim, ele aprende as características mais marcantes dos rostos humanos (as que aparecem até mesmo em baixas resoluções), levando a um resultado mais fidedigno quando o programa chega à qualidade alta.

Recentemente, a empresa de design Icons8 criou um banco de dados inteiramente gratuito com 100 mil rostos fictícios, gerados pela inteligência artificial. No website, há uma enorme variedade de fenótipos: cabelos loiros e morenos, lisos e crespos, pele branca e morena, etc. As imagens podem ser acessadas neste link, e a cada atualização da página, é mostrada uma pessoa diferente.

 Prós e contras

Como toda tecnologia, a criação de fotos fictícias pela inteligência artificial tem um lado positivo e outro negativo. Um benefício para designers, por exemplo, é a não-subordinação a direitos de imagem, já que as pessoas das fotos não existem.

Por outro lado, há malefícios que podem parecer um pouco aleatórios. Um exemplo é a substituição de modelos de revistas reais, já que criar as próprias modelos pode ser muito mais lucrativo para as empresas.

O caso do Facebook

Foi anunciado pela rede social a derrubada de centenas de contas falsas, criadas com fotos de pessoas inexistentes. De acordo com a empresa, o objetivo desses perfis era a propagação de conteúdo político, em apoio ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

O Facebook manifestou que conseguiu as contas a uma empresa americana, The BL (The Beauty of LifeI – “A beleza da vida”, em português), que, em sua visão, tem relação com o jornal Epoch Times. As postagens feitas pelas contas, de pessoas fictícias, frequentemente continham links que redirecionavam aos websites dessas empresas.

Ao todo, foram removidas 610 contas, 89 páginas do Facebook, 156 grupos e 72 contas do Instagram. Uma dessas páginas fora curtida por mais de 50 milhões de pessoas. Já uma das contas do Instagram era seguida por aproximadamente 92 mil usuários. De acordo com a rede social, a organização gastou mais de 9 milhões de dólares para colocar essa propaganda em prática.

“The BL está agora banido do Facebook. Nós continuamos investigando todas as conexões, e tomaremos a atitude apropriada se concluirmos que eles agindo de forma enganosa”, afirmou a empresa em sua publicação.

A capacidade dos nossos sistemas de inteligência artificial está aumentando cada vez mais. Tem, claro, o lado negativo, como o da substituição de vários empregos comuns hoje em dia, como o de modelos. Também há o próprio tema deste artigo: o uso mal-intencionado que muitas pessoas podem fazer dessa tecnologia, criando propagandas enganosas para se promover.

De qualquer jeito, é interessante todo esse avanço, cada vez mais veloz. Voltando ao assunto principal, será que você, leitor, nunca se deparou com um perfil de uma pessoa fictícia? Será que nunca foi alvo de uma propaganda dessas contas, criadas com o auxílio da inteligência artificial?