Microsoft pretende remover todo o dióxido de carbono emitido

Microsoft pretende remover todo o dióxido de carbono emitido

janeiro 22, 2020 0 Por Lucas

Embora muitos problemas tenham se desenvolvido junto à tecnologia nos últimos anos, como o aumento da emissão de gases danosos à vida, é incrível o que os eletrônicos nos proporcionam hoje. Mais incrível ainda é quando conseguimos utilizar nossa tecnologia para reverter esse impacto negativo. Bem, é justamente isso que a Microsoft pretende fazer. Com um investimento bilionário a ser feito, a empresa pretende se tornar negativa em carbono, ou seja, pretende retirar todo o dióxido de carbono emitido por ela da atmosfera, e mais um pouco.

 

Conforme anunciado no último dia 16, quinta-feira, a Microsoft pretende remover todo o dióxido de carbono já emitido por ela. A medida exigirá um investimento bilionário, de mais de 1 bilhão de dólares nos próximos quatro anos, e deverá mostrar um resultado completo até 2050. Além disso, a empresa prometeu se tornar negativa em carbono, ou seja, retirar mais dióxido de carbono do que o emitido, até 2030.

 

Histórico

A Microsoft já é neutra em carbono desde 2012. Isso significa que todo grama de CO2 emitido é “cancelado” por meio do uso de energias renováveis e compensações de carbono. Para isso, naquele ano, a empresa passou a adotar uma tarifa interna de carbono. Com isso, todas as suas unidades passaram a pagar mais pelo CO2 liberado, o que as levou a ter de incluir esse fator nos orçamentos anuais.

Com o dinheiro coletado, então, a Microsoft vem tomando uma série de atitudes. Uma delas é usar esse valor para financiar a reciclagem de lixo eletrônico, a geração de energia renovável, o aumento da eficiência de cada unidade e projetos comunitários de compensação de carbono. Para evitar pagar altas taxas, então, cada unidade adota um conjunto de práticas para diminuir as emissões, como a opção pela eletricidade de fontes renováveis.

Desde o início dessas medidas, a Microsoft já espalhou mais de 60 projetos em 23 países, em um investimento de mais de 4 milhões de dólares. Um de seus projetos de compensação de carbono é o “Mongolian Insulation and Efficient Stoves” (isolamento e fogões eficientes da Mongólia). Este procura reduzir em até 60% os custos dos combustíveis para aquecimento e em pelo menos 80% os níveis de fumaça interna, beneficiando a vida e o bem-estar de mais de 167.000 famílias.

 

A medida

O plano da Microsoft é bastante ambicioso. A tecnologia usada para remover o dióxido de carbono da atmosfera é ainda muito cara: cerca de 600 dólares por tonelada. Assim, se o preço permanecer o mesmo, a companhia teria de desembolsar mais de 9 bilhões de dólares só para as emissões de 2019. Porém, a visão da “gigante” da tecnologia é de que esse valor baixará, à medida que mais empresas tendem a tomar atitudes parecidas, barateando o equipamento necessário. No artigo publicado pelo The Verge, é ressaltado o fato de que a energia solar, por exemplo, foi de 30 dólares por watt, em 1980, para 1 dólar em 2019.

“Isso me lembra da Microsoft ‘das antigas’. Eles costumavam fazer coisas grandes, audaciosas como essa o tempo todo e eu estou grato por ver esse costume voltar em um caráter planetário. Também está bem atrasado.” — disse Julio Friedmann, um pesquisador sênior da Universidade de Columbia, que liderara o projeto “Research & Development”, do Departamento de Energia dos Estados Unidos, na captura e armazenamento de carbono.

“O único jeito de irmos para a frente é, na verdade, tomar atitudes que removam carbono do meio-ambiente”, falou o atual presidente da Microsoft, Brad Smith. Porém, ele também reconheceu que “a tecnologia da qual precisaremos para resolver esse problema não existe hoje, ao menos não de modo que seja tão economicamente viável e efetiva quanto o mundo precisa.”

 

Contraponto

Há também argumentos contra a captura do dióxido de carbono da atmosfera. O senador americano Bernie Sanders, por exemplo, defende que buscar eliminar o carbono já emitido tira a pressão de cima de seus emissores.

Além disso, é importante que haja uma maneira eficiente e permanente de “guardar” esse CO2. Não se pode, por exemplo, deixa-lo “escapar” de volta à atmosfera.

 

A Microsoft já vinha estudando e colocando medidas ambientais em prática há um tempo. A tarifa global do carbono, por exemplo, é uma medida simples, mas com muitos resultados, já que estimula suas unidades a se tornarem mais ecológicas, ou a financiarem projetos na área, tendo como pena a questão financeira.

Como visto, esta é talvez a maior iniciativa (o maior investimento) na área. Desse modo, a partir desse gasto inicial da Microsoft, espera-se que os equipamentos tenham seus valores reduzidos, e que mais pessoas e empresas sejam estimuladas a tomar atitudes semelhantes.