Stadia: como anda a nova aposta da Google?

Stadia: como anda a nova aposta da Google?

janeiro 3, 2020 Off Por Lucas

O Google Stadia, anunciado no início de 2019, causou certa polêmica ao prometer jogos por streaming em 4K e a mais de 60fps. Desde seu lançamento em alguns países, como os EUA, vem sendo alvo de inúmeras críticas. De qualquer forma, o Stadia já está no mercado, e já possui seu aplicativo na Play Store.

Funciona?

Como visto no canal de tecnologia Coisa de nerd, funciona, sim. Porém, é necessária uma conexão de rede adequada, de ao menos 10Mb/s (720p a 60 quadros por segundo), conforme recomenda a Google. Além disso, o tempo de resposta do Stadia é maior que nos consoles e no PC, o que é inevitável, e os gráficos são um pouco inferiores, fato que pode tornar o gameplay inviável no caso de jogos competitivos, de tiro em primeira pessoa. Estes, porém, são problemas que podem ser compensados pela mobilidade e praticidade do serviço: pode-se jogar em qualquer local. Assim, a escolha é do usuário.

O youtuber BRKsEDU, que atualmente vive no Canadá, postou em seu canal alguns vídeos usando o Google Stadia. Além disso, em seu Twitter, fez alguns comentários sobre sua experiência com o serviço. Algumas de suas críticas referem-se aos fatos de (1) que os gráficos possuem qualidade ligeiramente inferior à dos consoles e à do PC, com alguns serrilhados, como se o jogador estivesse assistindo a uma gameplay no YouTube, e (2) que há um certo atraso entre o comando do usuário e a resposta do servidor (chamado de input lag). Apesar desses problemas, o Stadia funcionou, sim, e cumpriu majoritariamente sua promessa inicial.

Como anda a implementação?

Até agora, o Google Stadia só está disponível em 14 países (Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, França, Itália, Alemanha, Espanha, Suécia, Dinamarca, Noruega, Finlândia, Bélgica, Irlanda e Holanda). Ainda em seu início, o serviço apresenta vários jogos famosos em seu catálogo. Alguns deles são: Assassin’s Creed Odyssey, Borderlands 3, Destiny 2, The Division 2, Farming Simulator 19, Final Fantasy 15, GRID, Gylt, Just Dance 2020, Metro Exodus, Mortal Kombat 11, NBA 2K, Rage 2, Red Dead Redemption 2, The Crew 2, Rise of the Tomb Raider e Shadow of the Tomb Raider.

Nos países citados, está à venda o Stadia Founder’s Edition (edição de fundador), por US$129,00 (equivalente a R$518,50 – 30/12/2019). Esse pacote inclui 3 meses de assinatura, o controle e um Chromecast Ultra. O controle é vendido avulso por US$69,00 e a assinatura de um mês consiste em uma opção única de US$10,00. Porém, nem todos os jogos do catálogo podem ser jogados gratuitamente, alguns requerem a compra pelo usuário, mesmo após o pagamento da assinatura do serviço.

Recentemente, inclusive, veio às mídias a notícia de que o Google comprou um estúdio de games para dar um foco maior no desenvolvimento do Stadia. O Typhoon Studios, companhia canadense de desenvolvimento de jogos, fora fundado por Alex Hutchinson, ex-diretor criativo de Assassin’s Creed III e Far Cry 4, da Ubisoft, e Reid Schneider. Embora o estúdio fosse pequeno na data da compra, com pouco mais de 20 funcionários e sem nenhum jogo lançado, a notícia é sinal de que a Google irá insistir no Stadia.

E no Brasil?

Por aqui, a grande questão é: nossa internet será capaz de suportar tal serviço? Para rodar os jogos em 1080p a 60 quadros por segundo, o recomendado pela Google é 25Mb/s. Porém, quem possuir apenas 10Mb/s, no mínimo, pode usufruir do serviço, embora em qualidade inferior (720p).

Apesar da ideia de que a internet brasileira é insuficiente, dados da Assessoria Técnica da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), mostra que o acesso a conexões mais rápidas vem aumentando entre a população ao longo do tempo. A população com internet entre 12Mb/s e 34Mb/s cresceu mais de 100% entre janeiro de 2015 e novembro de 2018 (de 12% para 26%). Ao mesmo tempo, o número de pessoas com acesso a uma internet com velocidade maior que 34Mb/s passou de 3,4% para 26,1%.

Conclusão

O Google Stadia tem demonstrado certa demora em causar o efeito que deveria. Mesmo que esteja no início, ainda faltam recursos que eram altamente esperados, o que faz muitos associarem a atual situação do Stadia a uma “versão beta”. Contudo, a proposta inicial, de reprodução de jogos “na nuvem” tem sido cumprida, mesmo que ainda haja imperfeições em relação aos consoles e ao PC.

Então, resta saber como será quando o Google Stadia chegar ao Brasil. Quanto à internet, a perspectiva pode ser otimista, visto que as conexões têm ficado cada vez mais rápidas. Porém, resta saber se os preços da assinatura e dos jogos não inclusos no Stadia não serão exorbitantes e, claro, se a população irá “abraçar” a ideia.